quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Tempo
Tempo — definição da angústia.
Pudesse ao menos eu agrilhoar-te
Ao coração pulsátil dum poema!
Era o devir eterno em harmonia.
Mas foges das vogais, como a frescura
Da tinta com que escrevo.
Fica apenas a tua negra sombra:
— O passado,
Amargura maior, fotografada.
Tempo...
E não haver nada,
Ninguém,
Uma alma penada
Que estrangule a ampulheta duma vez!
Que realize o crime e a perfeição
De cortar aquele fio movediço
De areia
Que nenhum tecelão
É capaz de tecer na sua teia!
Miguel Torga, in 'Cântico do Homem'
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Encelades
se alguém se encontrasse, súbito e inesperado,
consigo mesmo, frente a frente
e fosse desafiado, por ele, ou, pode dizer-se , por si próprio,
a falar
a sério assim
de puro, franco, aparente, quem sabe? impossível,
diálogo
poria na fala o mesmo coração do outro?
ou para si mesmo fingiria? ou se esconderia?
e porquê a divisibilidade da alma
se o amor tem uma fonte interna e contínua de calor
pela união dos corpos e dos espíritos?
só poderemos adivinhar
as latitudes possíveis do filme simétrico e de que espécie
é a energia que nos torna únicos
na seta do tempo, na expansão do cosmos.
(...aj c.)
consigo mesmo, frente a frente
e fosse desafiado, por ele, ou, pode dizer-se , por si próprio,
a falar
a sério assim
de puro, franco, aparente, quem sabe? impossível,
diálogo
poria na fala o mesmo coração do outro?
ou para si mesmo fingiria? ou se esconderia?
e porquê a divisibilidade da alma
se o amor tem uma fonte interna e contínua de calor
pela união dos corpos e dos espíritos?
só poderemos adivinhar
as latitudes possíveis do filme simétrico e de que espécie
é a energia que nos torna únicos
na seta do tempo, na expansão do cosmos.
(...aj c.)
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Uma e outra vez do vidro espelhado
voltas a buscar-me de novo até ti;
ordenas em ti, como numa jarra,
as imagens tuas. Chamas-lhe TU,
a esse despontar dos teus reflexos
que por momentos ao de leve estudas
antes de , vencida pela felicidade deles,
voltares a ofertá-los ao teu corpo.
Rainer Maria Rilke
voltas a buscar-me de novo até ti;
ordenas em ti, como numa jarra,
as imagens tuas. Chamas-lhe TU,
a esse despontar dos teus reflexos
que por momentos ao de leve estudas
antes de , vencida pela felicidade deles,
voltares a ofertá-los ao teu corpo.
Rainer Maria Rilke
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Viver Sempre também Cansa
"Viver sempre também cansa!
O sol é sempre o mesmo e o céu azul
ora é azul, nitidamente azul,
ora é cinza, negro, quase verde...
Mas nunca tem a cor inesperada.
O Mundo não se modifica.
As árvores dão flores,
folhas, frutos e pássaros
como máquinas verdes.
As paisagens também não se transformam.
Não cai neve vermelha,
não há flores que voem,
a lua não tem olhos
e ninguém vai pintar olhos à lua.
Tudo é igual, mecânico e exacto.
Ainda por cima os homens são os homens.
Soluçam, bebem, riem e digerem
sem imaginação.
E há bairros miseráveis, sempre os mesmos,
discursos de Mussolini,
guerras, orgulhos em transe,
automóveis de corrida...
E obrigam-me a viver até à Morte!
Pois não era mais humano
morrer por um bocadinho,
de vez em quando,
e recomeçar depois, achando tudo mais novo?
Ah! se eu pudesse suicidar-me por seis meses,
morrer em cima dum divã
com a cabeça sobre uma almofada,
confiante e sereno por saber
que tu velavas, meu amor do Norte.
Quando viessem perguntar por mim,
havias de dizer com teu sorriso
onde arde um coração em melodia:
"Matou-se esta manhã.
Agora não o vou ressuscitar
por uma bagatela."
E virias depois, suavemente,
velar por mim, subtil e cuidadosa,
pé ante pé, não fosses acordar
a Morte ainda menina no meu colo..."
José Gomes Ferreira
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O sol é sempre o mesmo e o céu azul
ora é azul, nitidamente azul,
ora é cinza, negro, quase verde...
Mas nunca tem a cor inesperada.
O Mundo não se modifica.
As árvores dão flores,
folhas, frutos e pássaros
como máquinas verdes.
As paisagens também não se transformam.
Não cai neve vermelha,
não há flores que voem,
a lua não tem olhos
e ninguém vai pintar olhos à lua.
Tudo é igual, mecânico e exacto.
Ainda por cima os homens são os homens.
Soluçam, bebem, riem e digerem
sem imaginação.
E há bairros miseráveis, sempre os mesmos,
discursos de Mussolini,
guerras, orgulhos em transe,
automóveis de corrida...
E obrigam-me a viver até à Morte!
Pois não era mais humano
morrer por um bocadinho,
de vez em quando,
e recomeçar depois, achando tudo mais novo?
Ah! se eu pudesse suicidar-me por seis meses,
morrer em cima dum divã
com a cabeça sobre uma almofada,
confiante e sereno por saber
que tu velavas, meu amor do Norte.
Quando viessem perguntar por mim,
havias de dizer com teu sorriso
onde arde um coração em melodia:
"Matou-se esta manhã.
Agora não o vou ressuscitar
por uma bagatela."
E virias depois, suavemente,
velar por mim, subtil e cuidadosa,
pé ante pé, não fosses acordar
a Morte ainda menina no meu colo..."
José Gomes Ferreira
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Physics - Tipler
Volume 1
Chapter 1 Systems of Measurement
- Units / International System of Units / Other Systems of units
- Conversion of units
- Dimension of Physical Quantities
- Scientific Notation
- Significant Figures
- Summary
- Study Guide chap 01
PART 1 - MECHANICS
Chapter 2 Motion in One Dimension- Displacement
- Acceleration
- Motion With Constant Velocity
- Integration
- Summary
- Study Guide chap 02
Chapter 3 Motion in Two and Three Dimensions
- The Displacement Vector
- General Properties of Vectors
- Position, Velocity, and Acceleration
- Special Case: Projectile Motion
- Special Case: Circular Motion
- Summary
- Study Guide chap 03
Chapter 4 Newton's Law
- Newton's First Law: The Law of Inertia
- Force, Mass, and Newton's Second Law
- The Force Due to Gravity; Weight
- Force in Nature
- Problem Solving: Free Body Diagrams
- Newton's Third Law
- Problems With Two or more Objects
- Summary
Chapter 5 Applications of Newton's Law
- Friction
- Motion along a Curved Path
- Drag Forces
- Numerical Integration; Eiçer's Method
- Summary
Chapter 6 Work and Energy
- Work and Cinetic Energy
- The Dot Product
- Work and Energy in three Dimensions
- Potential Energy
- Summary
Chapter 7 Conservation of Energy
- The Conservation of Mechanical Energy
- The Conservation of Energy
- Mass and Energy
- Quantization of Energy
- Summary
Chapter 8 System of Particles and Conservation of Linear Momentum
- The Center of Mass
- Finding The Center of Mass by Integration
- Motion of The Center of Mass
- Conservation of Linear Momentum
- Kinetic Energy of a System
- Collisions
- The Center of Mass Reference Frame
- Systems With Continuously Varying Mass: Rocket Propulsion
- Summary
Chapter 9 Rotation
- Rotational Kinematics: Angular Velocity and Angular Acceleration
- Rotational Kinetic Energy
- Calculating The Moment of Inertia
- Newton's Second Law for Rotation
- Applications of Newton's Second Law for Rotation
- Rolling Objects
- Summary
Chapter 10 Conservation of Angular Momentum
Chapter 11 Gravity
Chapter 12 Static Equilibrium and Elasticity
Chapter 13 Fluids
Chapter 14
Chapter 15
Chapter 16
Chapter 17
Chapter 18
Chapter 19
Chapter 20
Chapter 21
Chapter 22
Chapter 23
Chapter 24
Chapter 25
Chapter 26
Chapter 27
Chapter 28
Chapter 29
Chapter 30
Chapter 31
Chapter 32
Chapter 33
Chapter 34
Chapter 35
Chapter 36
Chapter 37
Chapter 38
Chapter 39
Chapter 40
Chapter 21
Chapter 22
Chapter 23
Chapter 24
Chapter 25
Chapter 26
Chapter 27
Chapter 28
Chapter 29
Chapter 30
Chapter 31
Chapter 32
Chapter 33
Chapter 34
Chapter 35
Chapter 36
Chapter 37
Chapter 38
Chapter 39
Chapter 40
se alguém respirasse e cantasse uma palavra,
e súbito fosse respirado por ela, fosse
cantado assim
de puro júbilo ou, quem sabe? de medo puro,
poria no termo o selo de si mesmo?
quem é que sabe onde fica o mundo?
e de quê e de quem e de como é composto e dito,
de como uma palavra, uma só, regula
ininterruptamente tudo, e alguém a põe em uso,
oh glória idiomática,
e é posto e disposto até que abuso de que espécie de infuso espírito
das profundezas dessa palavra
e súbito fosse respirado por ela, fosse
cantado assim
de puro júbilo ou, quem sabe? de medo puro,
poria no termo o selo de si mesmo?
quem é que sabe onde fica o mundo?
e de quê e de quem e de como é composto e dito,
de como uma palavra, uma só, regula
ininterruptamente tudo, e alguém a põe em uso,
oh glória idiomática,
e é posto e disposto até que abuso de que espécie de infuso espírito
das profundezas dessa palavra
Herberto Helder
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