Pergunta-me
se ainda és o meu fogo
se acendes ainda
o minuto de cinza
se despertas
a ave magoada
que se queda
na árvore do meu sangue
Pergunta-me
se o vento não traz nada
se o vento tudo arrasta
se na quietude do lago
repousaram a fúria
e o tropel de mil cavalos
Pergunta-me
se te voltei a encontrar
de todas as vezes que me detive
junto das pontes enevoadas
e se eras tu
quem eu via
na infinita dispersão do meu ser
se eras tu
que reunias pedaços do meu poema
reconstruindo
a folha rasgada
na minha mão descrente
Qualquer coisa
pergunta-me qualquer coisa
uma tolice
um mistério indecifrável
simplesmente
para que eu saiba
que queres ainda saber
para que mesmo sem te responder
saibas o que te quero dizer
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sexta-feira, 31 de agosto de 2012
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
No Teu Rosto
No teu rosto
Competem mil madrugadas
Nos teus lábios
A raiz do sangue
Procura suas pétalas
A tua beleza
É essa luta de sombras
É o sobressalto da luz
Num tremor de água
É a boca da paixão
Mordendo o meu sossego
De Mia Couto
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